Brexit – Uma boa oportunidade.

 

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No momento de todas as considerações e análises acerca do Brexit, gostaria de deixar a minha opinião acerca do referendo.

Desde logo a imigração foi um ponto forte durante a campanha que o antecedeu, o UKIP com os alertas de “inundações” de “peles escuras” lado a lado com mentiras de uma centena de regulações sobre bananas e almofadas não se poupou a esforços (se chegou até aqui e acredita neste género de mensagens então não vale a pena ler mais).

Sobre isto lembro-me sempre de um ditado internauta: A ignorância na era da informação é uma escolha.
E foi demasiado fácil a escolha para algumas pessoas.
Parece sempre mais fácil ouvir o preconceito culpando o que é estranho ou desagrada.

Também é verdade que as pessoas que votaram a favor do Brexit não são perigosos radicais de extrema-direita, ultra-nacionalistas ou ignorantes.
Mas que cavalgaram a onda populista e nacionalista…

Ou seja, vingou o medo, a xenofobia, as bandeiras de salvadores de espadas em riste prontos a defender a honra e herança nacional da invasão Romena, Muçulmana, Turca ou seja lá qual for o vilão do momento.

Venceu o diálogo do orgulhosamente sós, do anti multiculturalismo, num continente que é na sua raiz multicultural.

Paradoxal.

É por isso evidente que esta seja a hora da Frente Nacional, do Aurora Dourada, do UKIP e afins, ou pelo menos há quem queira acreditar que assim é.

Dizem que é o fim de uma união perversa, este projecto Europeu tirânico, que finalmente se erguerão de novo as vozes dos Europeus… Separadas obviamente, cada um no seu canto é claro.

Ignora-se o progresso e prosperidade que a União trouxe para o continente.

Traz-se de volta uma visão ressuscitada de um mundo de outrora, torna-se a Europa cada vez mais irrelevante, um mosaico que ao invés de se basear num projecto de solidariedade, interdependência e democracia que a potencia prefere um de fronteiras, barreiras e diferença que a diminui.

Mas a Esquerda, a radical, faz também a festa, será mais um daqueles momentos em que os extremos se juntam para celebrar.
Cantam a Internacional pelo vilão neoliberal, capitalista e defensor do grande capital que está de joelhos.

Pressupõem todos o ressurgir um forte Estado-nação, livre do controle dos tecnocratas de Bruxelas, uma praia aberta para todo o género de populismos prontos para a colheita na minha opinião.

Têm muito em comum e desenganem-se, estas alternativas não são alternativas, são retrocesso.

Mas, por estranho que pareça, estou contente com este referendo.
A Europa, esta União, não está bem de saúde.

Se algo de bom podemos agradecer aos Ingleses é terem abalado os alicerces estagnados da UE.

Surge uma oportunidade única para aprofundar um projecto Europeu, para democratizar e avançar com um caminho federal, único e próprio.
Acredito que nos iremos lembrar do Brexit pelas melhores razões, ou melhor, quero acreditar que assim seja.

Voltar atrás e desfiar o projecto Europeu é uma opção.
Mas exige uma dose de irresponsabilidade e loucura que só o mais cioso seguidor de princípios de aço e dogmas a todo custo pode aceitar.
Não é a palavra economia que está em risco, são as palavras vida, paz e família.

Nós Liberais temos a responsabilidade de ser uma voz activa na defesa do livre comércio, pela solidariedade entre nações e povos, num aprofundamento democrático do projecto Europeu; Alicerçados na liberdade individual e um Estado de direito que defenda os valores que nos definem, pela paz e prosperidade de todos.

Mais do que nunca a voz liberal faz falta, temos a ALDE na Europa é certo, mas acho que temos todos de mostrar individualmente com a nossa voz e ideias que existem opções bem mais humanas, livres e justas numa federação de nações Europeias do que em tratados intergovernamentais redutores ou nações solitárias.

Temos todos algo a ganhar e tudo a perder, como está é que não pode ser.

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