O Medo & O Liberalismo

We look forward to a world founded upon four essential human freedoms. The first is freedom of speech and expression — everywhere in the world. The second is freedom of every person to worship God in his own way — everywhere in the world. The third is freedom from want… everywhere in the world. The fourth is freedom from fear… anywhere in the world.
Franklin D. Roosevelt – 1941

75 anos após Roosevelt ter proferido esta conhecida frase, o Medo, a emoção mais antiga que o Homem conhece, continua a ser o maior inimigo da Liberdade. E, porque não dizê-lo, do Liberalismo.

Por razões diferentes tanto a Europa, como Portugal têm vivido e sentido na pele o Medo e todas as pequenas e grandes fobias suas filhas, alimentam todos extremismos, quer sejam religiosos quer sejam ideológicos. É sem dúvida uma grande responsabilidade do Liberalismo do séc XXI encontrar respostas para essas manifestações do Medo, encontrando formas de o combater, ou pelo menos minimizar.

Parafraseando, de forma ligeira, Bertrand Russell, as religiões nasceram para responder ao nosso Medo do Desconhecido.
A Renascença e, posteriormente, o Iluminismo trouxeram para a mesa a Razão como forma de compreender melhor Mundo e combater esse Medo do desconhecido, conquistando através da lógica e da ciência. Todas as filosofias e ideologias políticas que surgiram pós-Iluminismo tentam também encontrar respostas para minimizar esse Medo, sobretudo através da criação de Utopias filosóficas e políticas comparáveis aos Paraísos religiosos.
Trocamos uma ilusão por outras, substituímos (em muitos casos extremos) o ópio do povo por sucedâneos genéricos que continuaram a gerar ódios, guerras, fome, miséria, ignorância.
E nada melhor que a ignorância para alimentar o Medo e perpetuar este ciclo.

 

Fear is the mind-killer
Frank Herbert, Dune

O medo transforma um homem racional num animal enjaulado na propria dúvida, pronto a morder a sua própria sombra, ofegante, ansioso na espera de matar ou ser morto.

Perante o medo apenas existem duas opções, recuar ou avançar. Viver de joelhos ou morrer de pé.

Assim sendo, apenas podemos combater ou minimizar o medo tendo consciência dele e usando a nossa Razão.
Apenas munidos da sua chama podemos abrir os olhos e iluminar esta caverna.
Perceber que as sombras são apenas sombras, e o medo nada mais que um monstro imaginário que podemos ou não alimentar.
Mas ver o mundo tal como ele é, sem paixões nem ilusões revela-se uma tarefa difícil.
Sobretudo quando somos bombardeados diariamente, a cada segundo, com o ruído do Medo: dos gritos das vítimas às palavras de ordem dos líderes populistas.

 

Fear is the foundation of most governments.
John Adams, Thoughts on Government

Nada é mais óbvio, sobretudo se pensarmos em ditaduras. Mas tal não acontece também nas democracias?
Bastará vermos as campanhas eleitorais e repararmos que nada existe além do medo.
Vai votar no senhor X? Dizem que ele é uma fantoche dos interesses. Vai votar na senhora Y? Dizem que dá empregos aos amigos.
E as respostas ora variam entre o contínuo chafurdar na lama e o levantar das bandeiras das utopias e dos melhores amanhãs que tardam em surgir.
Ignorância alimenta ignorância, ilusão alimenta ilusão.

A coleira do medo é omnipresente, mesmo que dela nao demos conta.
Como acima disse temos que tomar consciência destes medos colectivos e individuais.

Medo do país vizinho ou de outros inimigos reais ou imaginários, medo dos mercados e da mão invisível.
O medo do capitalismo, o medo do socialismo, o medo do neo-liberalismo (um bicho imaginário metade unicórnio metade dragão).
O medo do islâmico, do cristão, do moreno barbudo, do branco de cabeça rapada ou do casal gay que vive na casa do lado.
O medo de não arranjar emprego, de não conseguir pagar as contas, de ser penhorado, de viver sem tecto nem comida.
O medo de falhar, de não ser aceite, de ser diferente, incapaz, inferior.

 

Fear cannot be without hope nor hope without fear.
Baruch Spinoza, Ethics

Perante tantas questões, tantas dúvidas, tanta ignorância, que papel tem o Liberalismo?
Lutar.
Lutar pela dignidade individual, para que cada indivíduo encontre na sociedade o seu lugar, não sendo discriminado pela sua raça, sexo, credo ou orientação sexual.
Lutar pela igualdade de oportunidades, para que todos tenham à partida as mesmas oportunidades de alcançar a prosperidade e a felicidade.
Lutar contra a opressão em todas as suas formas e feitios.
Lutar por um panorama político em que a Razão prevaleça sobre o Medo.

Lutar pela Esperança, pela Mudança, pela Justiça, pela Igualdade, e sempre pela Liberdade.

The enemy is fear. We think it is hate; but it is really fear.
Mahatma Gandhi

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