Mudança Liberal (1)

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“Em Setembro planta, colhe e cava que é mês para tudo.”

No passado dia 16 de Setembro foram, por coincidência, lançados dois grupos que pretendem formar um partido assumidamente liberal em Portugal:

Iniciativa Liberal
Projecto L21

Como coordenador dos Membros Individuais da ALDE em Portugal fico feliz que ambos os grupos contem com diversos Membros Individuais. Este é um sinal que esta organização já está, humildemente, a contribuir para mudar o panorama político em Portugal.
Temos todos trabalhado por isso.

Podemos afirmar o liberalismo em Portugal entrou finalmente na Era da Acção, concretizando-se o desejo de muitos, que compareciam aos eventos que regularmente ajudamos a organizar. Se tudo correr de forma positiva, haverá, dentro de pouco tempo, uma alternativa liberal nos boletins de voto.
A estes dois grupos poderão vir, a curto tempo, juntar-se outros que pretendem alcançar o mesmo objectivo.
Como se costuma dizer “não há fome que não dê em fartura”.

Voltando aos dois projectos em questão, é demasiado cedo para fazer previsões quanto ao seu sucesso, uma vez que esse dependerá de diversas variáveis. Podemos, no entanto, analisar aquilo que já se encontra à nossa frente: os manifestos e as equipas.

Os manifestos, embora contenham pontos obviamente semelhantes, estão estruturados de diferente forma e estão em fases distintas de desenvolvimento:

– o da Iniciativa Liberal segue um modelo colaborativo que tem como base o Manifesto de Oxford de 1947, logo ainda está numa fase embrionária;
– o do Projecto L21 aparece-nos mais finalizado, estando o manifesto elaborado em torno de 6 pontos chave, aos quais se juntam 5 valores essenciais.

Quanto às equipas ambos os projectos foram comedidos na divulgação de nomes e caras até agora:

– na Iniciativa Liberal podemos ver na sua página do facebook algumas foto do evento de lançamento mas não estão claramente identificados aqueles que farão parte do núcleo fundador, ou dirigente, do referido projecto;
– no caso do Projecto L21, que conheço mais de perto por ter sido inicialmente convidado a fazer parte do mesmo, sei que o grupo fundador já está fechado há algum tempo. Por enquanto este projecto apenas foi lançado online, não tendo havido, ainda, uma sessão de lançamento (como a da Iniciativa Liberal).

Ficamos a aguardar que sejam divulgadas as equipas oficiais de cada projecto.
Um dos factores importantes para o sucesso será certamente a capacidade de mobilizar pessoas que queiram contribuír activamente na construção dessa alternativa liberal.

Posto isto, há que analisar a situação que agora se apresenta.
Muitos perguntarão “então mas os liberais não se entendem de forma a formar um só grupo, um só partido?”.
A minha resposta directa e simples é “Parece que não”. Mas, um pouco de concorrência nunca fez mal a ninguém e também temos que ter em conta as diversas nuances que existem dentro do liberalismo, deste o clássico ao social, com muitas outras “escolas” pelo meio e pelos extremos. Logo seria normal, conforme vemos em diversos países europeus, haverem 2 (ou 3) partidos liberais em Portugal onde se agrupassem essas duas ou três maiores tendências do liberalismo.

Sei que vamos todos seguir atentamente estes projectos, sobretudo tendo em conta os próximos desafios eleitorais.

As eleições autárquicas de 2017 estão a cerca de um ano e não me parece que até lá consigam desenvolver todo o trabalho necessário.
Depois só em 2019, teremos eleições, sendo o 1º desafio as Europeias.
Não sei neste momento avaliar se aqui já haverão condições (ou vontade) para apresentarem uma candidatura. Afirmo isto tendo em conta que poucos meses depois vem o grande objectivo onde acho que ambos se estão a focar: as Legislativas de 2019.
No entanto, todas estas calendarizações dependem de não existir um cenário de Legislativas antecipadas.

As sementes estão lançadas, veremos que plantas daqui nascem.

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