Tomada simplista de reflexão

mmortagua_12

Ontem, acompanhei a entrevista que Mariana Mortágua deu à TVI. Fiquei atento durante muito do tempo que essa coisa fez durar. Muito, porque passei o início a ouvir o barulho da conversa dos meus pais no jantar e o final a tratar do lixo da casa e a falar com a minha irmã emigrante.

De resto, eis aquilo que, basica e simplesmente, posso apontar da entrevista, com todas as forças cognitivas que consigo ter:

  • Primeiro, grande parte daquilo do que a “madame” Dra. Mortágua disse ao pivô de telejornal JAC significa nada, isto é, tudo o que já se sabia ou puramente a presença do vazio na retórica falante da personalidade séria da entrevistada, que me fez compará-la com as figuras da Maléfica (a vilã da Bela Adormecida), do Ivan Drago (o antagonista de Stallone no filme “kitsch” Rocky IV) e do Zangado (um dos sete anões da Branca de Neve);
  • Segundo, já começa a tornar-se bastante ridícula, banal e cansativa a mania de perseguição que Mariana Mortágua e companhia fazem aos mais afortunados desta nação portuguesa, valente e imortal;
  • Terceiro, o JAC, como um bom jornalista que é, trouxe dúvidas baseadas em factos e em questões vindas do senso comum para criar um clima claro de debate;
  • Quarto, a dama Mortágua ainda acredita que a medida de criar um novo imposto imobiliário aos ricos pretende trazer justiça fiscal, quando, na verdade, trata-se apenas de agudizar a compra eleitoralista do populismo esquerdista do momento e de acomodar as trafulhices já feitas em casos como a recapitalização da CGD e o impulso de obrigar o Fisco a ver contas bancárias;
  • Quinto, a senhora Mortágua queria – pareceu-me ver – suavizar a forma como foi anunciada a medida mencionada no anterior ponto, quando, na verdade, foi uma coisa absolutamente lamentável, grosseira e até deselegante;
  • Sexto, a licenciada, mestre e estudante de doutoramento Mortágua continuou a insistir na necessidade de combater a desigualdade com base em impostos agravados – que poderão sofrer o risco de levar mesmo a evasão fiscal até mais longe -, o que me parece uma coisa bastante irónica; e
  • Sétimo, toda a entrevista na sua quase-íntegra que consegui assistir com atenção foi, bem no fundo, o triunfo da alta confusão e da razão ideológica no espectro político português (e eu pensava que a especialista Mortágua era uma pessoa competente, apenas com base no trabalho que fez no CPI do BES e do GES… fui enganado).

Pensando em tudo isto nada me fez alterar o pensamento que tenho sobre a nova taxa imobiliária, que, independentemente de poder beneficiar ou não o combate à desigualdade, é apenas mais um imposto prestes a ser colecionado no portefólio das Finanças. E também nada me impede de acreditar que Mariana Mortágua é uma força viva que se apaixona tanto pelas ideias que defende.

Então, haja o que houver para tudo andar ao sabor da circunstância…

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *