Corredores e Quintais: o Homo Politiqueirus

Na política, e em muitas outras áreas, há quem faça lobby mas também há aqueles que nunca passam do corredor. A este espécime chamarei de Homo Politiqueirus.

Este espécime é notoriamente conhecido pela sua habilidade na camuflagem e na facilidade com que se esquiva. Preferem agir com menos transparência, geralmente nas sombras ou pelas costas das suas presas. São hábeis manipuladores de pessoas e/ou informaçao, geralmente atraíndo as presas com vagas promessas, inesperados favores ou a bem conhecida lambe botice. Como armas extra na sua actividade predatória conta com um infindável número de contactos no seu telemóvel, bem como um exército de seguidores nas redes sociais. Muitas vezes não interessa sequer se são verdadeiros seguidores pois o puro número alimenta-lhes o ego, e a a mera ideia de ter ampla audiência para as suas divagações deixa-os extasiados. O espécime adora a sua voz canora bem como a sua plumagem e considera-se genial e carismático, muito acima dos peões que os rodeiam. O verdadeiro messias ou D.Sebastião retornado.

Este espécime, apesar de se ter propagado profundamente e estar presente em grande parte do territorio nacional (e europeu), tem, além do corredor, um outro habitat predilecto: o quintal.

Ameacem ligeiramente o poleiro e o galo canta logo de outra maneira.

Aproximem-se da cerca e o dócil animal transforma-se em pitbull sedento de sangue.

Ali ninguém entra sem a sua autorizção e ninguém sai sem sofrer na pele as consequências de tal desafio. Basta vê-los em toda a sua glória atrás de balcões ou fechados em salas escuras, em juntas de freguesia ou câmaras municipais, presidentes ou secretários disto e daquilo, engenheiros com ou sem diploma.

No entanto este espécime tem um peculiar defeito, além do ego enorme, que geralmente dita a sua queda: uma deficiência na visão que se traduz numa extrema dificuldade em ver para além do seu umbigo.

Os portugueses, e restantes europeus estão fartos deste género de “líder”, que se isola na sua torre de marfim e que julga saber a resposta para todos os males. Não podemos continuar a retalhar o país em quintais e corredores, em tachos e boys, nem podemos continuar a permitir ser liderados por mentes pequenas que colocam interesses pessoais à frente de tudo.

“O castigo dos bons que não fazem política é serem governados pelos maus.” – Platão

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